Role os Dados: Personagem Iniciante.

Hoje trago um artigo publicado no blog RPG do Mestre sobre personagens iniciantes, espero que gostem e esclareça para você iniciante algumas das principais dúvidas que acontece no começo de uma campanha.

Bem, a idéia pode parecer um pouco redundante já que você, em geral, começa jogando com heróis iniciantes, seja começando pelo nível um de sua classe ou com pouca pontuação para construção de seu personagem. Mas nem sempre seu personagem foi um guerreiro com uma habilidade razoável em combate, ou um mago que conheça meia dúzia de magias, então o que eles eram antes?

Eu já fiz uma campanha assim e pretendo começar outra nesse estilo em breve, A idéia é começar com os heróis bem iniciantes mesmo, mostrando o guerreiro em treinamento, talvez como um escudeiro, com o mago como um aprendiz tendo problemas em decorar sua primeira magia ou ainda o ranger tendo seus primeiros dias na floresta aprendendo a sobreviver. Eu sei que muitos de vocês podem ter a mesma que reação de um dos meus jogadores quando eu propus esse tipo de personagens para eles, mas façam como eles e dêem uma olhada em como isso pode ser interessante.

As idéias aqui propostas foram utilizadas por mim em um cenário de fantasia medieval, assim os exemplos serão voltados para este gênero, mas no final irei tentar falar da aplicação desta idéia para outros gêneros.

A idéia principal é que os personagens sejam crianças ou adolescentes, algo em torno de doze, quatorze anos de idade, mas que não sejam crianças normais e sim que já estejam voltadas a ser algo diferente do comum, afinal de contas, aventureiros não deveriam ser a maioria em seu cenário, caso contrário não haveria mais missões e monstros a serem enfrentados. O ideal seria trabalhar com os estereótipos clássicos – guerreiro, ladrão, mago, ranger, clérigo – e ver que possibilidades temos para trabalhar com estes heróis em inicio de carreira. Um guerreiro, por exemplo, poderia ser um escudeiro de um nobre, quem sabe um militar em inicio de carreira ou ainda uma criança comum filho de camponeses que tem o sonho de ser um aventureiro um dia. Esse último exemplo é até bem comum em backgrounds dos jogadores. A mesma idéia se aplica aos outros estereótipos, um mago poderia ser um aprendiz ou apenas um garoto muito propenso a possuir habilidades místicas, o ladrão poderia começar como um simples garoto pobre que decide furtar alguma comida para alimentar sua família, o ranger ser um jovem que morava muito perto de um bosque e o clérigo poderia começar como um simples aprendiz em um templo.

Mas então, qual a vantagem de termos os heróis do jogo como aprendizes de sua área? A principal é que podemos desenvolver melhor o que seria o background dos personagens, afinal estaremos jogando o que seria o background do personagem. É claro que isso vai funcionar muito bem em campanhas longas ou de média duração, em campanhas curtas já fica um pouco estranho, mas que pode funcionar se usar uma ferramenta que irei falar mais abaixo.

O mestre e jogador devem ter algumas conversas sobre a evolução do personagem para que o que a transformação do personagem seja feita de acordo com a história, assim o mestre pode e deve colocar situações que levem por esse caminho. Claro que não forçando a barra, mas sim de forma natural e até mesmo com opções que nem sempre devem ser tomadas diretamente pelo jogador, do tipo que suas ações vão acabando transformando o próprio personagem, então uma decisão equivocada pode obrigar o personagem a ir por um caminho totalmente diferente do programado pelo jogador. E esta é uma das coisas mais legais ao se jogar com personagens tão iniciantes, você vai vê-lo evoluindo muito mais do que se você jogasse com um personagem já estruturado e com um background totalmente pronto. Ao pegar um clérigo você teria que lidar com todo o aprendizado de teologia do cenário e ter que de fato tirar alguma vivencia disso para o personagem ou jogando com o jovem gatuno que rouba para se alimentar teria algum momento em que ele teria que escolher entre ter um trabalho de verdade, mesmo que não dê tantas moedas como os roubos ou continuar sua vida de crimes, mesmo sabendo que isso é errado. Estas decisões podem acabar refletindo em toda a história do personagem.

Claro que essa parte de desenvolvimento do personagem é muito bacana, mas o mestre deve direcionar por esse caminho, preferindo aventuras que levem a isso ao invés das tradicionais missões de invadir a masmorra e pegar o tesouro após o combate com dezenas de tipos diferentes de monstros. Não que isso não seja indicado, mas seria muito bom que, além disso, tivesse essa estruturação do personagem. O mestre também deve-se lembrar que personagens deste nível não serão páreo para desafios que normalmente enfrentamos com uma pontuação normal, então ofereça coisas que os personagens dos jogadores possam dar conta e lembre-se de mostrar que eles são baixo nível mesmo colocando desafios que eles não possam vencer e que eles tenham que fugir, afinal não só de acertos é feita a vida de um herói.

Isso tudo é muito bacana, mas eu sei que mesmo assim você pode estar pensando em como isso pode acabar se transformando em um jogo chato. Então a minha melhor dica neste post é que sua campanha não precisa ser toda com os personagens crianças. Eu acho que essa idéia pode ser aplicada de três formas diferentes. A primeira é em uma campanha longa de verdade, começando com os personagens da forma que descrevi acima e ir desenvolvendo a história e suas habilidades até que, muitas sessões depois, eles já estejam no nível em que vocês jogam normalmente. Isso vai gastar muito tempo, mas dificilmente os personagens desta campanha não terão um super background a ser explorado e que realmente foi bem trabalhado.

A segunda idéia é fazer uma campanha de média duração, jogando algumas poucas vezes desta forma e chegar a um certo momento e fazer uma longa passagem de tempo. Veja quanto tempo seria ideal e converse com os jogadores para saber que rumo eles querem para seus personagens, após isso dê alguns pontos ou níveis aos personagens para que eles evoluam seus personagens, mas neste ponto eu acho interessante que o mestre dê idéias e sugestões para o futuro dos personagens. A partir daí é só levar sua narração como qualquer outra e você, da mesma forma que acima, terá personagens bem trabalhados. Dentro desta mesma sugestão dá para juntar duas campanhas em uma só, jogando uma com os personagens iniciantes, dando um final a ela e futuramente voltar com os mesmos personagens, só que depois de alguns anos.

A última é em campanhas mais curtas onde você pode jogar apenas uma ou duas sessões com os personagens em níveis baixos e faça a passagem de tempo como falei acima. Os personagens não estarão tão bem desenvolvidos como se jogassem isso por tanto tempo, mas dará uma estrutura melhor para que a história seja desenvolvida em torno do que eles criaram inicialmente.

Só não sei se esta idéia irá funcionar em sistemas de níveis como D&D, onde os jogadores já começam com o 1° nível e sinceramente não sei se há como jogar com algo abaixo disso. Ou ainda se seria interessante jogar em outros cenários, já que muitas idéias já começam com os personagens iniciantes e não seria tão bacana termos eles antes deste momento. Por exemplo, uma campanha de supers jogar com os personagens desenvolvendo seus poderes pode ser um tanto tedioso caso o mestre não coloque algo dinâmico, mas ao mesmo tempo temos como exemplo nessa linha o seriado Smallville que era bem bacana no seu inicio e tinha a premissa de mostrar o jovem Clark Kent desenvolvendo seus poderes. Ou ainda na linha de storyteller/telling teríamos os personagens jogando com seus personagens antes de qualquer contato sobrenatural, claro que ainda daria para desenvolver algo em cima disso, afinal pode ser um simples jogo de investigação ou terror em que os jogadores acabam se surpreendendo com criaturas sobrenaturais existindo de fato e até mesmo se tornando em uma delas, ainda nesta linha, só tome cuidado para não mestrar crepúsculo.

Espero que tenham gostado dessa minha sugestão. Aproveitem o espaço dos comentários para deixar suas criticas, sugestões e experiências sobre o assunto. Até mais.

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